Botswana é um país incrível que possui inúmeras atrações famosas e uma natureza exuberante sensacional. E nós passamos 12 dias por lá e vamos te falar como fizemos o nosso roteiro independente em Botswana alugando um veículo 4×4.
Se você estiver planejando passear por lá, saiba que o país tem uma estrutura turística bem diversificada e que o governo investe principalmente em um turismo de altíssimo luxo, com acesso a lodges através de jatos e passeios super “exclusives”.

Tanto que, em determinadas áreas, é comum você dirigir por horas e não encontrar outros carros, ou encontrar somente carros de safáris.
Além disso, é difícil viajar barato por lá, considerando o tipo de turismo que o país investe. Mas não nos deixamos abater por isso e fizemos o nosso roteiro independente em Botswana, de uma forma relativamente econômica, e vamos te contar como.
RAZÕES PARA VIAJAR À BOTSWANA
Nós visitamos outros parques no continente, como o Kruger na África do Sul e o Etosha na Namíbia. Mas podemos afirmar, ainda assim, que foi uma experiência totalmente diferente.
Até mesmo porque, um roteiro independente em Botswana de 4×4, além do self safári, inclui uma aventura totalmente offroad que nos outros dois parques não tem.
E quando decidimos ir à Botswana nós estávamos parcialmente cientes disso. Entretanto, mesmo com bastante planejamento, ficamos de queixo caído com o que encontramos por lá.
Por isso, se estiver planejando a sua viagem à Botswana, prepare-se para acontecer o mesmo com você.
Para começar, nos parques nacionais não existem cercas separando as áreas de acampamento dos animais. Então se você é curioso ou assustado, não vai dormir a noite.
Além disso, a sensação do isolamento é única. Eram horas dirigindo sem encontrar nada nem ninguém. Somente os animais.
E por último, pra quem vai fazer um roteiro independente em Botswana, tem que fazer um planejamento rigoroso em relação aos suprimentos, para que a viagem não se torne um pesadelo.
E só para ter uma idéia, ainda assim com um super planejamento, nós chegamos até a emagrecer nos últimos dias. Tudo porque a nossa dispensa estava praticamente vazia.
Então esteja preparado para sair do roteiro turístico convencional da África e se jogar nessa incrível jornada à Botswana.

O QUE NÃO PODE FALTAR EM UM ROTEIRO INDEPENDENTE EM BOTSWANA
A primeira coisa que você precisa planejar muito bem quando for à Botswana, é a questão de mantimentos e, principalmente de água. Não tem praticamente nada para vender dentro dos parques e eles são enormes. Toda a sua comida e bebida deve sair com você na largada.
Complete o tanque de combustível sempre que vir um posto de gasolina. No nosso roteiro independente em Botswana quase não vimos postos de gasolina e as distâncias são bem longas.
Os mapas que usamos foram o Maps Me e o Maps for África. Ambos são aplicativos que funcionam offline. O primeiro é gratuito e o segundo é pago. Como é bem difícil sinal de internet no país, esses apps são extremamente necessários se você for fazer um roteiro independente em Botswana.
Por motivos óbvios, em vários lugares está escrito para não dar bobeira fora da barraca durante a noite. E não espere que os funcionários do parque te digam isso, eles entendem que você sabe aonde está se metendo.
Inclusive fazem você assinar um documento eliminando o parque de qualquer responsabilidade caso você seja atacado por algum animal.
E tem um ditado que diz “everthing bites in Africa” – Tudo morde na África, então não subestime os riscos, eles são bem reais. O que mais lemos em todos os lugares foi “entry at your own risk”- “entre por sua conta e risco”.
Por incrível que pareça, todas essas medidas tornaram a nossa viagem ainda mais única e emocionante, e ficamos realmente apaixonados com as experiências que tivemos em Botswana.
Então, se você tem espírito aventureiro, vem com a gente no nosso roteiro.
DIA 1 – WINDHOEK ATÉ GHANZI

Para fazer o nosso roteiro independente em Botswana nós alugamos um carro 4×4 em Windhoek, capital da Namíbia, e fizemos o roteiro de forma circular, ou seja, devolvemos o carro no mesmo local aonde alugamos.
E depois de todo o processo de locação ser alinhado por e-mail, o que levou por volta de uma semana, nós fomos pegos pela locadora do carro às 8 da manhã, em nosso Hostel Chameleon que ficava no centro da cidade.
A locadora foi a Camping Car Hire, que nós não indicamos, e relatamos o porquê e todo o processo de locação e valores neste post aqui.
E após o briefing e check list, que dura cerca de 2 horas para explicar tudo, saímos efetivamente da locadora por volta das 10 da manhã.
De lá fomos fazer compras de mantimentos no Pic’n Pay que fica dentro do Wernihill Parque Mall. Como o nosso carro estava com todo o equipamento de camping mais as nossas malas, tivemos o cuidado de estacionar, quando necessário, em locais seguros.
Compramos bastante coisa mas depois descobrimos que poderíamos ter tido problemas na fronteira – mas não foi o caso. De qualquer forma é bom ficar atento para cruzar fronteiras com comida, especialmente carnes e frutas.
Chegamos na fronteira por volta das 17h e depois de todos os documentos em ordem, passaporte e carro, passamos sem problemas. Todo o procedimento na fronteira levou cerca de 30 minutos.

EM BOTSWANA
Assim que passamos a fronteira, entre a Namíbia e Botswana, percebemos que a presença de gado, carneiros, burros e cavalos na pista era muito grande, então logo reduzimos a velocidade.
Foi daí que nos deparamos com um problema que sabíamos que deveríamos evitar – dirigir a noite. Isso devido a grande quantidade de animais nas estradas.
Mas para nossa sorte o motorista do carro da frente ligava o pisca toda vez que ele identificava animais na pista, um anjo enviado. Foi um comboio por mais de uma hora e meia. Chegamos a salvo em Ghanzi, onde passamos a nossa primeira noite no Thakadu Bush Camp.
Esse camping fica em uma reserva privada e possui uma quantidade enorme de animais nas áreas próximas ao acampamento. Na chegada vimos uma horda de Gnus (Wildbeast).
E durante a noite ouvimos leões rugindo muito perto, mas a princípio não era dentro da nossa reserva. Na verdade, até hoje eu tenho dúvida da distância daqueles leões. rs
Lembrando que caso você vá fazer um roteiro independente em Botswana é recomendável que já tenha as reservas de hospedagem antes. Se for alta temporada então, nem se fala.
Nós não tínhamos nenhuma reserva de hospedagem, mas por ser baixa temporada deu certo. Mesmo assim em uma das noites tivemos um imprevisto que vou relatar mais adiante.
E depois de um dia cheio, montamos pela primeira vez o nosso acampamento/casa, jantamos e fomos dormir felizes e agradecidos. Primeiro por ter corrido tudo bem e depois porque a nossa animação estava nas alturas.
Nós até achamos fácil e rápido montar e desmontar a barraca – uns 10 minutos. E o nosso equipamento de camping se mostrou útil embora não muito eficiente.
DIA 2 – GHANZI ATÉ MAUN

Na nossa primeira manhã em Botswana, nós nos permitimos dormir até mais tarde para aproveitar o café da manhã com calma, e descansar da correria do dia anterior.
E também porque o deslocamento entre Ghanzi e Maun é bem menor do que o do dia anterior. Então, no segundo dia em Botswana, chegamos por volta das 17h no mercado de Maun.
Maun em si não tem nenhuma atração, mas é considerada a capital do turismo em Botswana. Tem gente que fica hospedado nessa cidade só para fazer passeios de bate e volta dentro do Moremi Game Reserve e poder acessar o famoso Delta do Okavango.
Se você vai fazer um roteiro independente em Botswana é importante saber que Maun é a última cidade para se reabastecer caso você vá cruzar o Moremi Game Reserve. E foi o que nós fizemos.
Depois de mais umas comprinhas fomos direto para o Maun Rest Camp onde passamos a nossa segunda noite em Botswana. Como o camping está localizado dentro da cidade ele é um pouquinho barulhento, mas nada demais.
Em compensação o atendimento foi muito bom e o camping tem uma boa estrutura, como eletricidade, chuveiro elétrico razoável e área para braai.

DIA 03 – MAUN ATÉ MOREMI GAME RESERVE

Esse foi um dia cheio e começou cedo.
Às 7h já estávamos na estrada a caminho do Moremi Game Reserve. Como a distância entre Maun e o parque são de 100km é bom sair cedo, principalmente se você for fazer bate e volta dentro do parque.
A estrada até lá não é asfaltada mas foi possível manter de 80 a 90KM/H. Entretanto em época de chuva essa mesma estrada pode ser um problema.
O legal é que nessa mesma estrada, antes mesmo de entrar no Moremi, avistamos elefantes.
NA PORTARIA DO MOREMI
Chegando na portaria eles sempre pedem pelo número da reserva da sua hospedagens dentro do parque.
E eles não encorajam quem não tem reserva a seguir caminho e, por isso, recebemos vários olhares e frases nada estimulantes em todas as portarias.
Mesmo assim conseguimos entrar e demos sorte porque havia vaga pra nós em todos os campings dentro dos parques. Mas realmente são poucas as vagas e é importante reservar antes.

DENTRO DO MOREMI GAME RESERVE
Uma vez dentro do parque, ficou claro que sem um veículo 4×4 não passaríamos nem pelo primeiro km sem atolar. Como o nosso veículo era um 4×4 demorou uns 20km pra isso acontecer rs.
Mas não tem jeito, isso acontece mesmo com quem tem experiência com esse tipo de veículo, imagina se não ia acontecer com marinheiros de primeira viagem, como era o nosso caso.
Pra vocês terem uma idéia, é tanta areia que em alguns momentos chega a ser difícil prestar atenção em alguma coisa que não seja a estrada, pois acredite, é melhor não atolar do que ver um elefante e não conseguir sair do lugar.

Depois de umas 2 horas rodando dentro do Moremi paramos para almoçar em um local de picnic no meio do mato e ficamos impressionados que havia uma família com 2 filhos pequenos, comendo numa boa fora do carro.
Nossa indignação era porque nos outros parques que visitamos, na África do Sul a na Namíbia, somente era permitido sair do carro em áreas demarcadas para refeições, e além disso, elas são cercadas.
Entende porque não é mais do mesmo!? É outro tipo de experiência. Era um olho no mato e outro no lanche.
Após o almoço seguimos viagem em direção ao Third Bridge Camping, fazendo todo o percurso com calma e tirando várias fotos pelo caminho. Para nós aquela paisagem parecia um documentário.

THIRD BRIDGE REST CAMPING

Pelo nome do acampamento – terceira ponte – já dá para imaginar que tem água por lá. E não é pra menos, afinal, estamos em meio a planície alagada do delta do Okavango.
Porém, a época de chuvas vai de novembro a março, sendo janeiro o pior mês. É quando a passagem até o acampamento pode ficar complicada. Logo, evite fazer a sua viagem à Botswana nessa época.
Nós fomos no início do mês de abril e estava tudo seco na ponte.
O banho desse acampamento foi razoável, tinha área para braai e não tinha ponto de energia. Em compensação tinha um lindo pôr do sol.

Lembrando que no meio do mato, assim que o sol se põe, anoitece super rápido. E logo que nós começamos a comer ouvimos um hipopótamo gritando bem perto.
Portanto, se você está organizando o seu roteiro independente em Botswana, não dê bobeira fora do seu carro, principalmente a noite.
Por isso, agilizamos tudo e fomos para dentro da barraca o mais rápido possível.
Entretanto, devido aos sons da natureza dormir foi um desafio. E o mais engraçado era Rogerio e eu tentando descobrir, no meio da madrugada de dentro barraca, o que era.
Ouvimos de tudo, mas no geral ficamos bem tranquilos, pois não mexeram com o nosso carro ou nos colocaram em perigo em momento algum.
Mas lógico que cabe a nós respeitar os animais e não dar bobeira na presença deles. Lembrando sempre que por mais bonitos que sejam, ainda são animais selvagens e imprevisíveis.
E pra não dizer que não vimos nada nesse acampamento, na manhã seguinte fomos presenteados com um mabeco (cachorro selvagem) passando na nossa frente durante o café da manhã.
DIA 4 – THIRD BRIDGE ATÉ XAKANAXA

Esses dois acampamentos, o Third Bridg e o Xakanaxa, são relativamente próximos um ao outro. E por esse motivo, a maioria das pessoas escolhe um para usar como base e fazer os passeios.
Entretanto, além da gente ter um comichão para conhecer tudo, nós optamos por conhecer os dois para poder relatar as nossas impressões aqui no blog.
Mas se a sua prioridade é ver animais, pense em outra estratégia ao invés de mudar de camping toda noite. Nós fizemos um misto de animais, estradas, paisagens, campings e perrengues rs.
Inclusive, embora o Third Bridge seja o queridinho, nós achamos o Xakanaxa mais bonito e ainda era mais barato. Além disso, esse acampamento é famoso pela presença dos elefantes. Nós dormimos e acordamos na presença deles bem pertinho.
Uma curiosidade a respeito dos elefantes. Eles tem uma audição sensível e se assustam muito fácil, chegando até ficar agressivo, principalmente com barulho de carro. Cuidado!
Entretanto quando eles vêm até você, como no acampamento por exemplo, eles chegam de mansinho e não têm comportamento agressivo, por que geralmente não tem barulho.
PASSEIO DE MOKORO NO DELTA DO OKAVANGO
Atualmente, o passeio de Mokoro é a maneira mais “barata” de navegar pelas águas do delta do rio Okavango, e foi o que fizemos no nosso segundo dia dentro do Moremi.
Trata-se de uma canoa que antigamente era feita de madeira e atualmente, por motivos ecológicos, é feita com fibra de vidro.
Saímos do acampamento por volta das 9 horas e rodamos uns 20km até chegar ao local do passeio. Na portaria do Third Bridge Camping eles dão as instruções de como chegar, e na estrada tem uma placa indicando o caminho.
Quando chegamos ao local do passeio, não havia nenhum funcionário por lá. Decidimos esperar por uma hora e deu certo. O condutor do Mokoro estava fazendo um passeio com outro casal e quando voltou, foi a nossa vez.
O passeio foi gostoso e muito sereno. Levou 2 horas e vimos hipopótamos, um filhote de crocodilo, várias aves e muitas flores aquáticas.

Nós achamos incrível percorrer as águas do rio, inclusive aproveitamos pra dar um delicioso mergulho. Mas tem gente que acha muito parado.
O valor do passeio, por 2 horas, custou 50 USD ou 500 Pulas por pessoa.
Depois do passeio de Mokoro nós fizemos mais umas 3 horas de self safári pelas estradas ao redor do Third Bridge e fomos para o camping Xakanaxa.
DIA 5 – XAKANAXA ATÉ TSHA
Esse foi nosso último dia dentro do Moremi Game Reserve e nossa próxima hospedagem era fora do parque.
Passeamos durante a manhã toda e descobrimos um excelente mezanino onde almoçamos, gravamos uns vídeos e contemplamos a vida selvagem de camarote. Por voltas das 15h partimos em direção a saída.

Logo na saída do parque, tem umas lojinhas com preço inflacionado, mas que para uma emergência, serve. Achamos R$ 18 em uma garrafa de água de 5L meio caro.
HOSPEDAGEM ENTRE O MOREMI E O CHOBE NACIONAL PARQUE
Como dentro dos parques os campings são bem mais caros do que fora, nesse dia optamos por nos hospedar entre os dois parques, do lado de fora.
E vimos no mapa um camping que era perfeito, praticamente no meio do caminho entre os dois parques. Lembrando que entraríamos no Chobe Nacional Parque no dia seguinte.
Mas daí, lembra que eu falei que tivemos um contratempo devido não termos nenhuma reserva de hospedagem? Pois bem, foi nesse dia.
OUÇA O SEU 6 º SENTIDO EM UM ROTEIRO INDEPENDENTE EM BOTSWANA
Chegando no tal camping, de nome Tsha, fomos procurar a recepção ou alguém pra fazer check-in, só que não tinha ninguém no local.
Rodamos por mais de uma hora, quase atolamos e não encontramos nem um funcionário. Até que o Rogerio, por questões de segurança, deu fim a busca por alguém e paramos em uma área de camping que estava vazia.
Logo que chegamos vimos antílopes, babuínos, elefantes e ouvimos hipopótamos, tudo isso ao redor no camping. E por algum motivo os elefantes estavam agitados e gritavam o tempo todo.
Aquilo nos deixou mais alertas do que de costume e corremos para montar acampamento, tomar banho, fazer comida, acender a fogueira e nos assentar.

Não deu outra, assim que sentamos para comer, ao lado da fogueira que estava enorme, ouvidos um rugido muito próximo de nós. A sensação era de que o animal estava no nosso ouvido.
Imediatamente Rogerio e eu largamos o prato e corremos para cima da barraca. Foi tão assustador que ficamos uns 5 minutos nos recompondo em silêncio, e só depois de passado esse tempo que começamos a conversar.
Tratamos de bolar um plano pra descer da barraca e pegar a comida que estava praticamente intocada. Usamos o machado e a pá que estavam na traseira do veículo para recolher tudo rapidamente e levar o jantar para cima da barraca. Foi tenso.
Terminamos a noite refletindo no que poderia ter acontecido se aquela fogueira não estivesse acessa e o nosso 6° sentido aguçado.
Na manhã seguinte ninguém veio ao nosso encontro e partimos em direção ao Chobe Nacional Parque, ainda sem entender direito os acontecimentos da noite anterior.
Acesse aqui para acompanhar o nosso roteiro independente em Botswana – Parte 2
Vejo o vídeo parte 1 da nossa aventura por Botsuana.
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